LIVROS DO OUTONO DE 2010, Parte 1

Seguindo mais ou menos o espírito do último post, vou deixar aqui uma lista com os livros que achei mais interessantes enquanto preparava aulas neste semestre que chega ao fim. Um guia para eu não me esquecer quando chegar a hora de dar essa aula novamente.

What Makes Civilization?: The Ancient Near East and the Future of the West

Posso estar enganado, mas o alvo principal de historiadores no mundo anglo-americano me parece ser Samuel Huntington e sua idéia de um “Choque de Civilizações.” E o método empregado pela maioria dos historiadores é a de justamente mostrar as interações entre as tais “civilizações,” que aparecem demasiadamente isoladas uma das outras e autônomas na concepção de Huntington. Aqui então o autor vai mostrar a intensidade de trocas culturais entre diferentes partes do mundo antigo, impedindo a compreensão de uma civilização ocidental autônoma emergindo a partir da Grécia antiga. Infelizmente não tive tempo de ler a segunda parte do livro, mas me parece até ainda mais interessante, já que ele sai do mundo antigo propriamente dito para sua apropriação pelo pensamento iluminista no século XVIII. Aliás, bem lembrado, deixa eu adicionar esse negócio aqui na minha bibliotequinha de férias para terminar o serviço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Maps of Time: An Introduction to Big History (California World History Library)

Esse aqui uma tentativa de síntese de história do mundo utilizando o esquema que o autor vem defendendo há um tempo já, a tal da “Big History.” Nesse caso, mais do que tentar olhar para a história da humanidade como um todo, é uma questão de olhar para a história do UNIVERSO. O livro começa com o Big Bang e termina com os desafios do século XXI. Confesso que não tive a mínima paciência de ler os capítulos dedicados à geologia de formação do planeta, bem como ainda não entendi como tal inclusão pode transformar nossa visão da história da humanidade. Os capítulos a partir do surgimento do homem são ótimos e me foram muito úteis. Gosto da discussão empreendida por ele sobre o surgimento do capitalismo, um pouco menos centrada na expansão do comércio, como parece tão comum entre praticantes de World History.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Power and Plenty: Trade, War, and the World Economy in the Second Millennium (Princeton Economic History of the Western World)

Li a metade inicial desse aqui. Muito bom, ainda que não me agrade muito, como mencionei anteriormente, a ênfase excessiva nas explicações acerca do surgimento do capitalismo. Mas a discussão sobre o mundo pré-moderno é muito boa. A análise sobre a Europa Ocidental após a queda do Império Romano, por exemplo, é claramente inspirada pelos trabalhos de Michael McCormick, um dos historiadores cuja leitura mais me empolgou esse semestre. Para McCormick, a Europa Ocidental não esteve isolada do resto do mundo durante o processo de ruralização que marcou a Alta Idade Média. O comércio em ESCRAVOS com o mundo islâmico continuou à toda. Tal perspectiva é incorporada no Power and Plenty, em meio à uma análise de outras partes do mundo. A expansão Mongol marcaria um momento mais radical de globalização precoce. Uma das morais da história é, evidentemente, que momentos de expansão econômica estão longe de ser um processo espontâneo, mas diretamente ligados à guerra. Vou tentar terminar esse aqui nas férias também. Aí posto uma resenhazinha melhor elaborada.

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